quinta-feira, 29 de julho de 2010

A inumanidade da guerra por um veterano do Iraque

Esse vídeo foi postado há pouco no orkut do meu grande amigo Catata e prá mim entra na categoria de FORA DO COMUM! Para quem leu o meu post sobre as inumanidades cometidas e sua relação com a forma de pensar dogmática que eu conceituei como "pensamento religioso", vai conseguir entender neste vídeo porque ressalto tanto a necessidade de um pensamento crítico, racional e humanizado. O vídeo diz respeito a um veterano da atual guerra do Iraque e mostra como no seu dia-a-dia ele foi questionando todas as ações que antes ele tomava como verdade. E mostra que a arma mais poderosa que existe não são as bombas, os aviões, os radares e os tanques, mas sim o PENSAMENTO CRÍTICO sobre a realidade.  

O nome do soldado é Mike Prysner. Ao contrário do que vem sendo divulgado na maioria dos blogs e sites, Mike Prysner está bem e não foi encontrado morto dois dias depois.


Veja o vídeo e se emocione também!




Por fim acho que esse vídeo se encaixa perfeitamente nas palavras de Buda:  

“Não acredite em qualquer coisa simplesmente porque você
escutou. Não acredite em qualquer coisa simplesmente porque foi dito e
fofocado por muitos. Não acredite em qualquer coisa simplesmente porque
foi encontrado escrito em seus livros religiosos. Não acredite em
qualquer coisa meramente na autoridade de seus professores e anciãos.
Não acredite em tradições porque elas foram passadas abaixo por
gerações. Mas após observação e análise, quando você descobre que
qualquer coisa concorda com a razão e é condutivo ao bem e benefício de
um e todos, então aceite e viva para isso.” Siddartha Gautama (o Buda)


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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Waldo Vieira: Chico e o perfume de Sheila

Veja aqui um dos casos reveladores da vida de Chico Xavier: o perfume de rosas de Sheila.
Abaixo Waldo Vieira afirma que Chico comprava frascos de perfume de Rosa para utilizar nas sessões espíritas em que o espírito da enfermeira Sheila estaria atendendo. Não duvido da boa intenção de Chico, afinal praticamente a vida inteira dele foi dedicada ao bem. Ressalto, por fim, que esse episódio não desmerece, na minha opinião, a grande obra e o legado deixado por Chico no amparo de milhares de pessoas e que deve ser sempre lembrado. Mas, como um insistente questionador ficam essas perguntas: Se Chico se utilizou, neste caso, de alguns artifícios não muito honestos com o objetivo, é claro, de proporcionar maior ajuda e fé aos necessitados que o procuravam, não teria ele repetido esses pequenos truques em outras ocasiões? Até que ponto essa conduta se restringe a somente este caso? Será que podemos tomar esse depoimento de Waldo como verdadeiro? Como saber? Ficam aí questões que precisam ser respondidas. Veja o vídeo e tire suas próprias conclusões. 

Antonio Pitaguari: Waldo, aqui em cima… professor, em resultados dos processos em comemoração do Chico Xavier, eu recebi duas perguntas de duas pessoas. Tentei responder, mas voltaram novas perguntas, então achei melhor talvez fazer essas perguntas aqui e depois pedir para essas pessoas assistirem aí o vídeo da Tertúlia. A 1ª seria sobre a Otília Diogo que foi aquela médium lá dos eventos de Uberaba de 1964. Então a pergunta seria: ela era uma médium autêntica? E aqueles eventos? Eles foram reais ou foram fraudulentos?

Waldo Vieira: O caso todo é o seguinte, deixa eu explicar. Essa Otília Diogo não era conhecida nem do Chico nem de mim. Aí teve uma revista, aquelas tipo “Fatos e Fotos”, uma coisa dessas… que trouxe uma reportagem sobre o caso dela e a freira que estava materializada segundo eles. Eu examinei aquilo e falei assim: ‘É difícil de a gente admitir isso aqui, hein?’ – falei com o Chico. O Chico falou assim: ‘Que tal a gente fazer pesquisa dessa também? Vamos fazer pesquisa dela.’ E assim vamos. Nós estávamos no Rio. Eu comprei a revista (…) Então nós temos que ir embora para Uberaba  para fazer o teste, entrar em contato com essa senhora, saber quem é, como é que é pra fazer o teste. Agora, com isso nós não falamos nem que ela era fajuta nem que era real. Você está entendendo? Nós queríamos era fazer pesquisa. Eu vivia de fazer pesquisa de médium de tudo que era jeito. Do jeito que eu tava falando aqui ó… eu nunca falei das pesquisas que eu fiz por exemplo com médiuns psicógrafos. Um monte deles. E muita bobagem, muita coisa certa [?] que a gente pescou com isso. Agora então veja: a partir disso então o que é que nós fizemos? Pegamos as malas e voltamos para Uberaba, e lá começamos a articular o povo, começamos a entrar em contato com essa senhora para ver se ela topava fazer uma pesquisa junto com os médicos que eram meus amigos. Eu tinha 17 médicos que trabalhavam comigo nessas pesquisas. 17. Aí então a gente faz. Mas, uma amiga do Chico, que era repórter, ficou sabendo que nós estávamos fazendo aquilo, e disse assim: ‘A Cruzeiro pode ir aí? Com tudo que é aparelhagem?’ Falou assim ó: Seria bom vocês arranjarem infra-vermelho, tudo aquilo que eu mesmo já sabia, que a gente já usava, aquelas coisas todas. Já tinha gente pra tirar fotografia tipo infra-vermelho, aquele negócio. Falei assim, ó: Nós topamos tudo, nós queremos fazer uma pesquisa. Aí abri o meu consultório, fomos arranjar um aparelho de ar condicionado importado para colocar lá, para abaixar a temperatura, para ajudar. Mas eu falei: ‘Primeiro eu quero examinar a senhora, vamos ver quem é.’ Então ela veio com o marido dela, um marido muito simples, uma pessoa muito boa, digna, lá, com um negócio junto com ela… E a gente examinou. Eu examinei a moça e disse: ‘Olha, ela é ectoplasta, realmente é. Agora, sobre o fenômeno, vamos examinar para ver o que é que é. Aí fizemos a pesquisa. Foi feita lá. Tinha 6 repórteres lá do Cruzeiro. Quando acabou o negócio, eu quis ouvir cada um deles. Rapidinho ali. Tinha uns falando assim: ‘Realmente há algumas coisas estranhas nela’. Agora eu falei pra turma: ‘Mas vocês tiraram as fotos. Eu to interessado é nisso. Ela é fajuta ou não é? Vamos ver como é que é esse negócio. Porque o processo todo é esse. Vamos ver como é que é isso. Isso de aparecer aqui vocês sabem. Eu sei como é que é esse processo de fajutagem, o que tenho mais visto aqui é médium farsante mistificador. Então eu saio um ou dois dias depois daquilo, e esse repórter amigo do Chico chama ele lá e me chama ao telefone, e fala pra mim assim: ‘Waldo, nós examinamos, tem muita coisa, há fajutagem mesmo, o negócio lá tem fotografia que não tá certo, etc e tal. Então nós agora podemos falar. Não, mas o melhor é você não falar pelo seguinte: o Cruzeiro resolveu vender a revista através disso. Eles vão fazer um escândalo, vão fazer uma tempestade publicitária. Eles não vão fazer isso em cima do Chico porque o Chico é um mito. Naquela ocasião a Brigitte Bardot vinha para Cabo Frio aquele negócio. Ele falou assim: ‘É que nem a Brigitte que ta chegando aí. A gente não vai combater a Brigitte, tem que falar a favor dela. Do Chico é a mesma coisa. Agora, se nós precisarmos falar, Waldo, nós vamos falar sobre você. A tempestade vai ser sobre você, porque você é que é o dono do consultório, você que articulou tudo para fazer a experiência. Aí eu falei com ele: ‘Vem cá, você sabe bem o que você está falando, a desonestidade da situação? ‘Sei, mas veja, ô Waldo, eu aqui dentro eu sou só um. São eles que decidiram fazer isso, eles vão fazer um escândalo, não tem jeito… E como é que vai ser? Ele: A turma acha que é melhor vocês dois sumirem. Durante uma temporada você desapareça. Porque vai ser uma tempestade em cima do processo, e nós vamos usar muito o seu nome nessa história toda pra saber. Agora, a hora que ele falou isso o Chico ta lá e eu repetindo os negócios tudo com Chico, a gente em Uberaba, eu viro pra ele quando aquilo muda assim, nubla tudo na minha frente, eu vejo o que vai acontecer com ele, e aí eu comecei a falar pelo telefone: ‘Escuta, eu estou vendo aqui o que vai acontecer. Vocês vão vender muita revista, mas não vai ficar pedra sobre pedra. Todos vocês, vai haver briga, vai haver processo, olha do jeito que eu estou vendo (num) vai ficar pedra sobre pedra, até morte é capaz de acontecer com isso. Estou vendo coisas horríveis nesse processo. Com isso eu não quero ser a Cassandra do Terror nem Boca de sapo, mas estou vendo a coisa na minha frente, veja bem o que vocês vão fazer. ‘Waldo não adianta nada eu falar essas coisas para esse povo que eles não admitem isso, eles querem é vender revista.’ Agora o que é que acontece? A partir daquilo então eles publicaram 14 edições sobre o assunto, entende? A 1º edição tinha até na capa a fotografia. Eles deixando o negócio na dúvida para ver como é que era para causar celeuma. E nós sumimos. Nós fomos para uma fazenda no sul de Goiás de um amigo nosso e ficamos lá. De cara ficamos lá quase 10 dias. Fazenda da Madeira, na área da Madeira, no sul de Goiás. Depois nós viajamos para outro lugar para não aparecer porque era uma bagunça a situação toda. Aí começaram as brigas todas do processo, já sabíamos o que é que era. Nem o Chico nem eu nunca falamos o que é que tinha naquilo. Agora, o que é que se passa? Depois disso, a gente viu a moça e ela subiu vinho, porque ela ficou conhecida no Brasil e até no exterior com aquilo. Foram vendidas das revistas 14 milhões 550 exemplares. Eu tenho as revistas tudo guardadas com uma boa parte delas aí, com alguns exemplares… Outra coisa também, aquilo durou 4 meses. Foi de fevereiro até mais ou menos maio-junho de 1964. A tempestade continuou. Eu nunca falei nem a favor nem contra. Deixamos o negócio para ver o que acontecia. Agora eles eram o cão danado que na época que o cara falou, falou assim: ‘Ó, tão me falando aqui pra te dizer, Waldo, que isso vai ser bom pra você. Você é uma pessoa que não é conhecida, você vai ficar conhecido até no exterior. Agora veja a imoralidade deles: se eu fosse entrar naquilo, o que é que ia acontecer? Eu tinha que combater todo mundo.  Todos os repórteres, a situação toda, eu ia lutar contra o condomínio acionário, aquele povo todo, tinha até senador no meio deles, você sabe que depois teve até morte, teve um tal Baldarta [?] que saiu disso aí, que mataram o cara que não sei o quê, do jeitinho que eu falei. Aquilo passou alguns poucos anos depois, eu vi que o negócio desmoronou tudo, acabou a revista, acabou tudo. Tudo foi por causa dessa fajutagem. Agora, conclusão: a moça tinha efeito físico, mas ela fraudava. Você quer ouvir a conclusão. Ela fraudava sim. E depois ela ficou doida para arranjar namorado. Teve isso também depois. Ela estava interessada em homem. O marido dela era um grande cara. Eu gostei tanto do marido dela com essa coisa toda que uma vez me deram terno de linho 120, 120 é aquilo que falam, tem 120 linhas por cm2, e como tinha mais ou menos o mesmo biótipo que a minha, eu vi que ele estava precisando de uma apresentação de uma coisa que ele ia fazer, eu dei o meu terno para ele. Para vocês terem uma idéia. O Chico falou, ‘Uai, você vai dar meu filho esse terno fora de série que você ganhou’, falei assim, ‘Ô Chico, eu não preciso usar esse terno, agora ele precisa, tem fazer uma apresentação’. Ele ficou felicíssimo com meu terno de linho 120, lógico, branco, fora de série. Nunca pude esquecer isso. Agora, a mulher a gente viu que ela tava [faz sinal de biruta], ficou toda… e o negócio piorou mais depois.

Antonio Pitaguari: A segunda pergunta seria sobre o processo das eventuais fraudes que o Chico Xavier teria cometido. Além da…

Waldo Vieira: Isso aí é outra coisa. O Chico gostava de fazer pesquisa com as outras pessoas. Foi isso que nós estávamos fazendo com essa Otília Diogo, você está entendendo? É outra coisa. Você sabe que esse negócio da Otília Diogo escreveram livros, muita gente pra defender a gente, todo mundo… a nossa intenção não era nada com aquele negócio. Você vai pesquisar um médium, você responde por aquilo que você vê na hora. Eu (…) você não tem nada a ver com isso. Agora, se você não pegar tudo que é médium que aparece, você não pesquisa ninguém. Você vai pegar 10 médiuns, às vezes 8 deles fraudam. Que é que é? Você está pesquisando, você mete o pau. Eu mesmo depois eu fiz pesquisa, depois que deixei o movimento espírita, com dezenas de médiuns. Fui até para ver o Adepaua [?] lá nas Filipinas. O povo não entende nada disso, eles não sabem de minha vida. Agora o que é que se passa: Eu vi, por exemplo, o Thomas Green Morthon. O homem tem um ectoplasma fora de série, mas ele também fraudava. E daí? O Mirabelli foi fora de série, um dos maiores médiuns que o Brasil já teve, eu estudei tudo sobre Mirabelli. No fim da vida estava fraudando. Como é que é isso? Então você tem que ver. Agora, eu sigo e até esse povo precisa de ouvir é isso, que Allan Kardec falou mais ou menos uma sentença da seguinte maneira: ‘O ideal é a pessoa rejeitar 99 verdades a aceitar uma mentira.’ Isso é que era o medo. Isso aí me ensinaram nas aulas de moral cristã, no catecismo espírita.  Eu nunca pude esquecer. Eu sempre tive uma verdadeira antipatia pelo processo da mentiraria. Eu sempre combati isso. Agora, o que é se passa com o Chico? Eu não conhecia bem o Chico, aquilo foi se desenvolvendo, aquela situação toda… Mas quando eu chamei ele, eu já tinha feito algumas experiências com ele na questão da psicografia. Mas aí o que é que se passa? Ele quando a gente instalou tudo, já tinha comunhão espírita cristã em Uberaba, a gente já tinha uma casa, aquela coisa toda, minha mãe estava lá, ajudava a gente. Naquela ocasião tinha até a Ana, que fazia comida para a gente, era fora de série. O que é que se passa? Eu vi que ele estava fazendo umas sessões que eu não participava, que eram as sessões da Scheila, eu chamava. Sessões e às vezes eles falavam os perfumes da Scheila. Eu falei assim: ‘Ó, eu não vou nisso porque é ele quem está fazendo’. Eu não via que o Chico tivesse odorização, que é esse fenômeno, e nem que ele tivesse esse nível de capacidade de ectoplasmia dos outros médiuns. Eu nunca vi isso nele. Então eu nunca participei daquilo. Mas, um dia, como era casa, aquele negócio todo, um dia ele saiu para colocar um negócio no correio, não sei o que na cidade, eu estava atendendo os outros, quando acabei de atender fui em casa, cheguei no armário dele estava com a porta aberta, eu então fui lá para fechar a porta do armário. A hora que fui fechar a porta do armário, eu vi um saco cheio de frasco. Eu pensei assim: ‘Que é que é isso?’. Aí fui olhar tava com aquele cheiro de rosas. Aí fui olhar o que é que era, como é que era o troço, tinha um monte de frascos, tinha alguns que tavam cheios, tinha muitos que estavam vazios. Aí comecei a analisar o negócio. ‘Eu não to entendendo o que o Chico faz com isso, como é que eu nunca vi essas coisas’. Aí examinei tudo, tipo detetive, caladinho, em casa, vendo o que é que é que se passava, e chamei ele lá, depois que eu verifiquei tudo. Ele arranjava os frascos – presta atenção – e hoje aí na internet, tem lá um cara que viu isso também, escreveu lá, naqueles casos lá que me deram aí sobre os blogs, o povo, tem um cara lá que tá falando a mesma coisa que eu vi. O problema é o seguinte. O que é eu averigüei na ocasião? Que ele usava os perfumes que eram comprados na Veado D’Ouro, em São Paulo. O perfume era de rosa. Rosa era o perfume dessa ex-enfermeira da guerra, que era a Scheila, a irmã Scheila, como eles chamavam. Agora, o que é que se passa? Existe um pequeno objeto que coloca perfume dentro, você aperta assim aquilo exala na hora. Tudo indica que era o que ele usava lá na história.  Agora o que era o vidro que ele usava, é que ele depois pegava aqueles frascos e jogava nos barrancados da mata do carrinho que tinha lá até hoje. E que esse homem falou é que ele é que era um dos taxistas que levava o Chico para jogar fora. E ele foi lá e foi examinar lá e viu que era tudo Veado de Ouro, os frascos, os perfumes tudo de rosa, ficou impregnado, cheirava tudo o negócio. Agora o que é que é que se passa? A hora que eu vi aquilo tudo, eu então chego para o Chico: ‘Olha, eu quero combinar uma coisa com você.’ Eu já tinha um trato com ele, eu ia trabalhar, ia ajudar tudo, para expandir as coisas dele toda, mas ele já sabia que eu era contra tudo quanto era mistificação e farsa. Eu não tinha temperamento, eu tinha verdadeira idiossincrasia a esse processo. Eu já sabia porque eu só estudava fenômeno desde pequeno. Esse negócio das 99 verdades e uma mentira, eu já falava isso todo dia. Ele sabia. Aí o Chico na minha frente começou a chorar. Eu disse: ‘Olha, Chico, eu não quero fazer você chorar. A única coisa que eu te peço é o seguinte, a minha intenção não é essa, eu nunca mais vou fazer advertência nenhuma nem combinar com você qualquer coisa aqui, mas tem uma coisa: eu nunca vou participar dessas sessões. Você pode fazer o que você quiser, nessas eu não entro. Ai ele disse assim: ‘mas meu filho, eu não posso desencorajar essas pessoas, todas elas confiam, isso aí ajuda tanta gente com essa situação toda’. Eu falei assim: ‘Chico, você é autêntico nessas suas psicografias, nas coisas que nós recebemos, o negócio todo, não precisa disso. As suas ciências são muito avançadas, esses espíritos desencarnados são bons, são bem-intencionados. A gente não precisa ficar fazendo fajutagem, sujeira nessa história. Pra quê uma farsa nesse negócio? Aí falou assim: ‘Não, mas esse povo, eu não consigo viver sem esse processo.’ Aí eu falei, assim: ‘Então, ó, você segue, nessa eu não estou. Agora isso, quando aconteceu, eu já estava instalado em Uberaba, ele ainda fez muitas sessões da Scheila enquanto eu ainda estava lá. Vocês nunca viram fotografia minha com qualquer sessão dessa com ele da Scheila. No entanto, as outras sessões públicas de psicografia, tem milhares delas por aí, porque dessas eu participava. Agora, o que é que se passa? Uma coisa é o Chico Xavier com esse processo de mistificação a respeito, porque ele queria ajudar os outros. A intenção dele era boa, mas ó: não tinha discernimento nenhum. É aquilo que nós estávamos falando. E outra coisa: ele participar sem [?] os outros médiuns. Ele fez pesquisa com Peixotinho, que era autêntico, que tinha ectoplasmia, tudo isso. Ele fez com muitos outros. Ele viu muito processo de efeitos físicos com outras pessoas.  Agora o problema é esse termo. O povo aí na internet está pensando que as duas coisas é uma coisa só, não tem nada que ver, são coisas diferentes. Agora o que é que se passa? Eu a partir daquele dia, eu vi e falei assim: ‘Eu não posso confiar nas coisas todas dele. Eu vou ajudar em tudo que eu posso até o dia que eu vou deixar tudo isso.’ Naquela ocasião ele já sabia. Porque quando nós começamos a trabalhar eu falei com ele: ‘Você não espere que eu vou ficar o resto da vida com você.’ E eu ainda falei com ele bem claro a situação da seguinte maneira. Ele admitiu tudo isso. Agora eu penso que lá no fundo ele esperava que eu fosse mudar com o tempo, devido à parafernália daquele monte de gente, a liderança do trabalho de assistência nossa, aí eu falei assim ó: não vou. O meu problema é estudar o processo de fenômenos tendo base científica, ver o caso de discernimento, de racionalidade, de lógica, eu quero é ver por esse aspecto porque a ciência é o menos pior dessas linhas de conhecimento todas que têm por aí. Não é nem a filosofia e nem a religião para mim, nem a arte. O processo é a ciência. Então eu falei com ele, a minha diferença, o meu argumento com ele, ele me reconheceu na seguinte maneira. Falei assim: ‘ó, Chico, veja bem você. Você, eles te chamam de Chico Xavier. Você não fez nem o curso primário. Agora eu não, eles me chamam de Waldo Vieira, é o nome inteiro. Eu não tenho apelido aqui. Outra coisa: estou terminando meu segundo ano de curso superior. A minha responsabilidade nessa minha vida é enorme. Você não tem. Você não chegou a estudar. Você pode fazer essas tuas coisas do jeito que você quer aí e tudo pela tarefa da consolação. Agora eu não estou nessa. Eu tenho que entrar na tarefa do esclarecimento. São dois cursos superiores, eu tenho que responder por isso. Como é que fica a minha correlação de vida? Como é que fica isso? ‘Então – eu comecei a falar para ele – olha, o Espiritismo fala muito da tarefa da consolação. Eu sou da tarefa do esclarecimento. Não adianta esse povo torcer a barra e dizer que o Espiritismo está fazendo tarefa do esclarecimento. Não está. Na hora em que você pode fraudar nas sessões da Scheila mostra que não tem esclarecimento nisso. Então as 99 verdades e uma mentira já foi pro espaço há muito tempo. Allan Kardec tá no buraco há muito tempo. Essa é a minha realidade com o Chico. Agora veja, eu tô calado esses anos todos, enquanto ele viveu eu estou aí, eu falei pra ele, ‘Eu não vou falar nada disso. Agora, se amanhã começarem a vir em cima de mim para falar, você sabe, eu vou ser obrigado a abrir o jogo nessa história toda.’ É o que está acontecendo agora. Vieram em cima de mim depois no centenário, o homem já ressomou faz 8 anos, essa situação toda ele já tá bem… ele cumpriu as coisas que ele queira, eu cumpri a minha tarefa com ele, que era de melhorar o processo da vida dele, de tirar o maior escândalo dele. Esse povo todo tá fazendo isso, tá fazendo filme, fazendo livro, fazendo reportagem, fazendo artigo de tudo quanto é jeito aí. A maioria tá evitando que eu tirei o Chico da pior condição que ele estava da vida dele, sobre o escândalo, chorando de dia e de noite lá comigo. Eu levei pra Uberaba, fui eu que levei. Os primeiros nove postos que levaram para lá eu tirei dinheiro do meu bolso para fazer aquilo. Eu não tinha muito dinheiro. O povo não sabe disso, mas os amparadores sabem. Emmanuel sabia disso, [Escotor?] sabia disso, por isso que me deram força. Agora, veja, esse povo tudo aí interpretando as coisas ao modo deles. Não viveram nada, não viram nada, não estudaram nada. Agora veja, tá tudo igual no tempo do Cruzeiro. Eu acho que o Cruzeiro virou escola. Uma escola de mentiraria. Tudo criado por eles. Uma vergonha aquilo tudo que eles fizeram. 

Fonte: Obras Psicografadas - http://obraspsicografadas.haaan.com/

terça-feira, 27 de julho de 2010

O inumano e o pensamento crítico



Há uma frase de Richard Dawkins bastante interessante em um de seus documentários: "é curioso, mas a religião por muitas vezes tende a fazer com que pessoas boas cometam maldades sem terem noção realmente de que as estão cometendo".
Dawkins comenta mais ou menos isso ao analisar o caso ocorrido nos EUA em 31 de maio de 2009 em que o ativista anti-aborto Scott Roeder matou o físico e médico George Tiller conhecido por fazer abortos. Scott teria matado o médico para salvar a vida de outras crianças, o que dentro de sua lógica interna de pensamento religioso faria sentido e seria visto como um "ato heróico" e humano. O mais intrigante nesta história é que existe um padre americano que defende Scott e diz que o que ele fez foi correto, afinal o médico seria um assassino de crianças e isso tinha que parar. É bastante paradoxal você matar alguém para evitar que uma pessoa faça abortos, mas dentro da mente de Scott ele teria agido dentro de preceitos religiosos e provavelmente pense que Deus está bastante satisfeito por ter matado o médico.
O Brasil não fica muito longe disso com o caso do médico e da mãe que foram excomungados da Igreja por terem sidos responsáveis pelo aborto em uma menina que teria engravidado aos nove anos depois de ter sido estuprada. Neste caso a lei brasileira valida o aborto, já que é um caso de gravidez que colocaria em risco a vida da menina. O que mais chocou foi que o padre excomungou a mãe, a menina e o médico, no entanto o estuprador continuou a ser aceito como cristão no seio da Santa Igreja Católica. Claro que isso gerou uma grande polêmica, mas dentro dos Cânones da Igreja Católica ou do Código do Direito Canônico nº 1398 de 1983, o aborto é passível de excomunhão automática, no entanto não há nenhum cânon que condene o estupro especificamente. Se pensarmos do ponto de vista institucional, o padre não fez mais que sua obrigação obedecendo aos preceitos da Igreja Católica e  seus cânones. Mas dentro do ponto de vista do bom senso geral, condenar uma menininha de 9 anos à excomunhão por ter feito o aborto fruto de um estupro e não condenar o estuprador é no mínimo uma grande inumanidade. E o que é mais grave: o estuprador era o próprio padrasto da menina.
Pois é justamente disso que eu gostaria de comentar aqui. Como as pessoas muitas vezes cometem atos de extrema inumanidade achando que estão completamente certas. A maioria das vezes, ao analisar mais profundamente esses casos, pode-se constatar que tais pessoas os cometem segundo uma lógica de pensamento que eu chamaria de "pensamento religioso". O que eu quero chamar de "pensamento religioso" não está restrito somente às instituições religiosas. Um comunista, um extrema-direita,  um estalinista, um maoísta, um anarquista ou um trotskista que levasse as suas crenças às raias do fanatismo poderia também entrar sob o guarda-chuva do conceito de lógica de pensamento que eu estou chamando aqui de "pensamento religioso".
Entre os espíritas também ocorrem casos em que essa lógica de “pensamento religioso” se expressa da mesma maneira, apesar da postura de “fé raciocinada” compartilhada. Até hoje fico tentando entender o que seria “fé raciocinada”, já que fé pressupõe acreditar em “dogmas”, e a razão não combina com dogmas. O caso ocorreu no ano passado, quando uma mulher que perdeu sua mãe e duas filhas no acidente do vôo 3054 da TAM em 2007, entrou com um processo contra o médium Woyne Figner Sacchetin por seu livro “O vôo da esperança”, no intuito de obrigá-lo a tirar tal livro de circulação. No livro o médium afirma que os passageiros tiveram que passar por esse tipo de morte porque tinham sido cruéis algozes numa vida passada, mais especificamente na Roma Antiga. Ele teria recebido essa informação do espírito de Santos Dumont. Agora imagine você perder quase a família inteira carbonizada e ainda ter que ouvir que eles mereceram isso porque tinham sido pessoas cruéis na vida passada? Tome o lugar do outro e imagine você ouvir uma atrocidade dessas expondo sua família quando ainda são bastante presentes a dor e a saudade da sua mãe e de suas duas filhinhas, uma de 10 e outra de 14. Não é uma falta de respeito publicar um livro desses? Não é uma inumanidade perante a dor do outro?
Alguns poderiam me questionar: por que “pensamento religioso”? – Porque em geral o “pensamento religioso”, ao contrário do modo de pensar científico, vai construindo nas pessoas uma lógica interna que as torna cada dia menos questionadora sobre mundo e os fatos que os cercam. A isso conhecemos como “dogmas” que é simplesmente aceitar determinadas “verdades” sem que se permita qualquer questionamento ou dúvida. E assim as pessoas vão sendo todos os dias habituadas a simplesmente aceitar as coisas como verdades dadas, vão se tornando cada vez mais acríticas. No entanto algumas se tornam tão acríticas ou tão “dogmáticas” que podem chegar ao ponto de serem convencidas a cometerem atos de extrema crueldade, achando que estão na verdade fazendo um bem à humanidade.
Não é muito difícil de ver isso hoje, quando muçulmanos e judeus brigam por espaços sagrados em Jerusalém. A religião ou o “pensamento religioso” que ela gera em cada um dos seus membros se torna o motivo maior das intolerâncias e dos ódios de uns contra os outros. Do ponto de vista de uma pessoa que não seja muçulmana nem judia, as brigas por espaços sagrados de ambos os lados não faria nenhum sentido, seria mesmo uma irracionalidade que só o “pensamento religioso” poderia gerar. Quem olhasse do lado de fora diria: - porque não se abraçam, porque não se tratam como irmãos? O que a religião dessas pobres pessoas tem ensinado a elas? A se matarem? A se odiarem? É aí que o inumano se expressa. O “pensamento religioso” torna a violência, o ódio e a morte justificável, o que do ponto de vista de uma pessoa crítica seria uma grande atrocidade irracional e injustificável. O mesmo modo de estruturação de “pensamento religioso” pode ser encontrado nas torcidas organizadas que se digladiam dentro e fora dos estádios. Tal pode ser visto neste caso como uma lógica de “pensamento de torcida” levada ao fanatismo extremo e ocorre em várias partes do mundo.
O século XX foi bastante marcado por esse tipo de pensamento encontrado por toda parte e manifestado nos diversos ‘ismos’ que surgiram. Se formos observar o nazismo na Alemanha, por exemplo, pode-se constatar que enquanto a grande massa era ensandecidamente adestrada através de símbolos, de grandes catarses provocadas por pelotões colocados em pavilhões imensos para habituar as pessoas a acreditarem no Führer sem nenhum questionamento, sabe-se por alguns historiadores como Alan Bullock, Hugh Trevor-Roper, James Webb, Joachim Fest, etc. que Hitler tinha bastante gosto por idéias ocultistas e esotéricas como a da Ariosofia. Este sistema filosófico-religioso pregava a ideologia sobre a raça ariana e que, segundo seus seguidores, teria como representantes mais puros os indo-europeus e os germânicos. A cruz suástica – SWASTICA - é na verdade um símbolo yantra que representa equilíbrio, expansão e evolução do universo segundo o hinduísmo. Os yantras são símbolos que teriam poderes. Assim, a suástica é um yantra que pode ser encontrado na mão de Ganesha (http://hprakesh10.files.wordpress.com/2009/08/ganesha.jpg) e também é usado por Shiva. A cruz suástica de Hitler inverte o sentido do yantra hindu, representando, portanto, desequilíbrio e destruição. O historiador Nicholas Goodrick-Clarke escreveu sobre a relação entre as influências ocultistas e esotéricas que eram do gosto de Hitler com o nazismo em seu livro The Occult Roots of Nazism: Secret Aryan Cults and Their Influence on Nazi Ideology (As raízes ocultas do nazismo: os cultos arianos secretos e sua influência na ideologia nazista).


Então, mais uma vez observamos que um dos maiores atos inumanos cometidos no século XX, a política sistemática de morte aos judeus em diversos campos de concentração, tinha como pano de fundo esse tipo de pensamento – o modo ou estruturação de pensamento que eu chamo aqui de “pensamento religioso” - que faz com que os atos mais irracionais, as maiores inumanidades sejam vistas como ações bem intencionadas e justificáveis. A loucura de Hitler, se tornou a loucura das massas, e se pararmos prá pensar quando a loucura se manifesta em uma sociedade inteira, deixa então de ser loucura para passar a ser algo aceito como normal. Os “dogmas” religiosos não deixam de ser um exemplo de loucuras coletivas. De uma certa forma a população alemã foi convencida a aceitar um “dogma”, e esse “dogma” se chamava Hitler, o Furher inquestionável em suas ações.


Mas isso não aconteceu só no nazismo. Aconteceu também na revolução cultural de Mao, onde os jovens execravam e assassinavam os professores em praça pública acusando-os de burgueses (http://cds.aas.duke.edu/exhibits/redsoldier/images/red_shame382w.jpg, http://veja.abril.com.br/230708/imagens/livros1.jpg) , no governo totalitário manifestado no Stalinismo burocrático, com o culto à personalidade de Stálin e a morte de milhões causadas pela coletivização forçada da agricultura e os expurgos resultando na execução de 680.000 pessoas com a permissão de Stálin para o uso da tortura em prisões. E ocorreu nas perseguições de governos socialistas a religiões como, por exemplo, na revolução socialista de 1924 no México contra o clero e as edificações da Igreja Católica, na repressão a todas as religiões na URSS e na própria perseguição aos judeus durante o nazismo, perseguição essa que também tem um caráter de discriminação religiosa. Dessa maneira todos os ‘ismos’ do século XX – Comunismo, fascismo, nazismo, socialismo investiram contra as religiões por as considerarem ameaça aos seus projetos de construção de uma nova sociedade.


É isso que eu gostaria de chamar a atenção. O humano se torna inumano e se justifica quando falta o bom senso, quando falta o pensamento crítico que possa evitar, ou mesmo servir de vacina contra a formação de um modo de pensamento “religioso”, acrítico, “dogmático”, fanático e irracional. Porque tal forma de estruturação de pensamento sempre encontra justificativa para qualquer ato, sempre acaba convertendo o inumano e injustificável em algo visto como bom e aceitável porque é compartilhado por muitos ou por uma sociedade inteira, o que o faz ganhar o status de ‘normal’. E ainda hoje se arrastam desavenças entre católicos e protestantes na Irlanda, Israelenses e Palestinos em guerras intermináveis, muçulmanos e judeus disputando lugares sagrados, os conflitos no Iraque entre muçulmanos sunitas e xiitas, os Talebans no Afeganistão e por aí vai.


O inumano não resiste ao pensamento crítico bem desenvolvido. É disso que precisamos!